O Ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, esteve no Aeroporto Humberto Delgado (AHD) a inaugurar as obras de expansão do Terminal 2 e a falar sobre as obras de expansão do Terminal 1. Mais de 300 milhões de euros vão ser gastos nestas obras, que têm como objectivo declarado aumentar a capacidade do actual aeroporto de 38 para 45 movimentos por hora.
Sobre a redução dos impactos do ruído, poluição, insonorização de edifícios e o famoso “hard curfew” para voos noturnos, nem uma palavra.
As obras no AHD irão aumentar a capacidade do aeroporto, e portanto agravar os seus efeitos nocivos: ruído durante o dia e durante a noite, poluição atmosférica, aumento da pressão rodoviária e nos transportes numa zona saturada da cidade.
Recordamos que já decorreram mais de 2 anos desde que a Comissão Técnica Independente (CTI) apresentou os resultados da avaliação ambiental estratégica (AAE) ao novo aeroporto de Lisboa (NAL), sem que se tenham verificado desenvolvimentos de monta rumo à deslocalização urgente daquela infraestrutura.
A ANA/Vinci, que sempre pugnou pela manutenção do AHD, continua assim a “marcar passo” num dossier fundamental para o país, mantendo o executivo refém dos seus interesses: recorde-se que os prazos anunciados por Pinto Luz para a construção do NAL têm sido sucessivamente alongados: 10 anos quando tomou posse no XIV Governo (abril de 2024) e, agora, em janeiro de 2026, até 12 anos, tendo já admitido que o prazo possa chegar aos 15 anos, o que contradiz a afirmação do ministro de que “o tempo dos adiamentos acabou”.
O Executivo permite que a ANA/Vinci aumente a capacidade do aeroporto de Lisboa sem qualquer Avaliação de Impacto Ambiental (AIA), uma flagrante violação da lei, comprovada pela própria Agência Portuguesa do Ambiente (APA). E, ainda, que continuem por publicar as violações da concessionária da gestão dos aeroportos no que respeita aos voos nocturnos e às multas aplicadas pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC).
O Governo tem um papel fundamental no travar de obras erradas, não podendo ser complacente com os adiamentos e avançando com as medidas estudadas e aprovadas para resolver o problema do aeroporto de Lisboa.
É preciso voltar a andar para a frente:
- Parar as obras de expansão da Portela, que vão agravar a situação de saúde de todos os que vivem ou trabalham perto do aeroporto;
- Tomar medidas urgentes para mitigar os efeitos nocivos para a saúde causados pelo actual aeroporto:
- Fim dos voos nocturnos entre as 11 da noite e as 7 da manhã;
- Promover, apoiar e financiar medidas de mitigação do ruído nas habitações e outros edifícios sensíveis afectados;
- Avançar na construção do novo aeroporto, com um prazo realista de 6 anos para a sua abertura, de acordo com o estudo da Comissão Técnica Independente e experiências internacionais.
Sobre a plataforma: A Plataforma Cívica “Aeroporto Fora, Lisboa Melhora” é um grupo de cidadãos residentes nos concelhos afetados pelo Aeroporto Humberto Delgado formado em 2022 para contestar os voos noturnos do AHD, assim como defender que não se expanda a capacidade do AHD e haja lugar ao seu rápido desmantelamento e à construção do novo aeroporto fora de Lisboa, de forma a acautelar a saúde e bem-estar das populações afetadas.
